Sempre pensei muito sobre o assunto, e sempre tentei explicar de forma clara aos clientes a diferença entre optar por um site desenvolvido todo em Flash e um site em HTML, porém nunca tive capacidade de pontuar as idéias e esclarecer os mitos sobre este tema. Entretanto estava navegando por minha revista de desenvolvimento web preferida, a Smashing Magazine e felizmente me deparei com este post, que traduzo livremente neste blog.
O post original (em inglês) você pode encontrar aqui: http://www.smashingmagazine.com/2010/04/12/the-gradual-disappearance-of-flash-websites/. Não que eu acredite que meus clientes terão paciência de ler o que tem neste conteúdo imenso, mas tento pelo menos esclarecer pontos cruciais e desenvolver meu discurso. O mesmo vale para você que é desenvolvedor. Boa leitura.
Se, ao desenvolver um site, você quiser “ir além” visualmente, fornecer uma interação complexa e um experiência rica, e permitir o acesso em uma ampla variedade de navegadores, o Flash é o único caminho a percorrer. Certo? Errado. Dada a ampla adoção e os avanços dos browsers modernos e bibliotecas JavaScript, o uso do Flash começa a fazer pouco sentido. Mas é claro que o Flash mantém o seu lugar na Web, considerando a necessidade de desenvolvimento contÃnuo e inovador.
No panorama atual da tecnologia e acesso à Internet através de dispositivos, tais como porta-retratos digitais, netbooks, celulares e televisores, os benefÃcios dos padrões Web superam os do Flash, especialmente quando se entrega conteúdo para um público amplo, atingindo um maior número de dispositivos.
O Flash é um produto proprietário (patenteado) que fica externo ao browser, e serve para estender a sua funcionalidade. Enquanto o Flash pode ter fornecido a funcionalidade que esteve ausente por algum tempo, hoje ele agrega pouco aos navegadores modernos. Quanto mais desenvolvedores e designers perceberem os benefÃcios dos padrões Web e começarem a utilizar algumas das funcionalidades do HTML5 e CSS3, veremos menos websites feitos em Flash.
Advogados têm evangelizado padrões Web por mais de 10 anos. O debate entre desenvolvedores e designers, muitas vezes fica tão aquecida como a discussão sobre casamento entre pessoas do mesmo sexo, provocando rupturas desconfortáveis entre algumas das pessoas mais inteligentes da área.
Com o anúncio recente da falta de suporte ao Flash pelo IPad e a persistente falta para o iPhone, o debate foi além da comunidade de desenvolvimento para incluir a Adobe e a Apple. Com a postura anti-Flash da Apple, tornou-se muito difÃcil argumentar por um site totalmente em Flash, porque ao fazer esta opção você estaria deixando de fora uma audiência potencialmente grande.
Eventualmente, o Flash irá ser suportado por dispositivos móveis (250 milhões de aparelhos deverão dar suporte até o fim de 2012), mas isso é uma pequena parte do debate e um dos melhores argumentos que os defensores dos padrões Web sustentam.
O cerne da questão é como entregar uma grande experiência para os usuários, não importa a tecnologia ou plataforma.
“HTML5 vs Flash” é o tópico errado. “MÃdia de experência rica e acessÃvel” é o caminho certo.
— Jeffrey Zeldman (via Twitter )
No final, todos nós estamos apenas tentando criar sites que possam ser acessados e utilizados, independentemente das ferramentas que usamos para entregá-los.
Nos primórdios da Web, o Flash era praticamente a única forma de oferecer uma experiência rica em diferentes navegadores e plataformas. O CSS e o JavaScript foram apoiadas de forma inconsistente para seu uso “cross-browsers”, e contar com eles não valia a pena.
O Flash teve grande sucesso logo no inÃcio e avançou rapidamente. O pequeno aplicativo que, uma vez criado para criar animações, rapidamente tornou-se em um ambiente de desenvolvimento. Alguns desenvolvedores e designers optaram por concentrar seus esforços nessa área, muitas vezes, segregando-se da Web aberta e dando suporte a tecnologia proprietária. Os websites em Flash tomaram conta da Web, e os padrões Web não permitiam mais aos desenvolvedores criar as experiências que os usuários estavam começando a esperar.
Os padrões Web podem ter ficado para trás desta vez, mas eles continuaram a ser empurrados para a frente por profissionais e aqueles dispostos a abraçar a idéia de uma Web aberta.
Usuários esperam experiências ricas, e em muitos casos, essas grandes experiências já estão sendo entregues com HTML, CSS e JavaScript, que são os princÃpios básicos dos padrões web.
A diferença entre sites desenvolvidos com Flash e padrões Web tornou-se pouco clara. À primeira vista, mesmo o desenvolvedor mais experiente teria dificuldades para discernir qual a tecnologia usada em um site visualizar o código fonte.
A lista de sites que estão abrindo mão do Flash em favor de padrões Web está crescendo a cada dia. Mesmo que estas decisões sejam tomadas devido à falta de suporte pelo IPAD e iPhone, em breve os outros benefÃcios que os padrões Web trazem, serão colhidos também.
O que antes poderia ser feito quase que exclusivamente em Flash agora é facilmente conseguido com JavaScript e um pouco de ingenuidade. “Lightboxing”, notÃcias com rolagem, navegação rica e slideshows de imagem eram apenas do domÃnio do Flash. A generalização da adoção de normas é facilmente atribuÃvel à facilidade do uso de bibliotecas JavaScript, que forncem uma maior interação e suporte atual para o CSS entre os navegadores.
O vÃdeo foi um passo importante à frente para os padrões Web. O vÃdeo é uma das poucas coisas que poderiam ser entregues de forma satisfatória apenas pelo Flash. O maior avanço até agora tem sido a adoção pelo YouTube do elemento vÃdeo HTML5 (ainda em beta), permitindo que os navegadores modernos para ignorar o plugin do Flash e usar o visualizador nativo de vÃdeo do próprio browser.
O vÃdeo disponibilizado pelo HTML5 encontrou polêmica (graças a atual disputa entre codecs) e relatórios de desempenho medÃocre, mas essas questões serão resolvidas. Os desenvolvedores irão implementar vÃdeo HTML5 e escolher o codec apropriado. Quando os maiores websites tomarem a decisão, nós vamos acabar com um padrão definido que dará aos navegadores melhor desempenho.
HTML5 e CSS3 representam um grande esforço para melhorar o desempenho do navegador nativo, e muito desenvolvedores de browsers já estão implementando as suas especificações, mesmo que estes padrões não tenham se fixado. Ainda há muito o que se desenvolver, como Animações em CSS, canvas, armazenamento local, localização geográfica e outras caracterÃsticas que levarão os padrões Web a uma nova era.
Ainda serão necessários muitos anos para vermos100% das especificações emergentes implementadas em navegadores e ver a grande maioria dos usuários usando navegadoes atualizados, se adotarmos o desenvolvimento contÃnuo do conteúdo, estaremos bem em nosso caminho para promover a adoção entre os desenvolvedores.
Ao aprender a produzir conteúdo de qualidade continuamente, oferecer uma renderização perfeita em cada browser, e uma degradação suave em navegadores mais antigos podemos obter tempo para nos concentrarmos em outras áreas do desenvolvimento, tais como a acessibilidade e a usabilidade.
Se os usuários do seu site não tiverem o JavaScript habilitado ou CSS, eles ainda tem o direito e deveriam poder acessar e desfrutar do seu conteúdo em uma forma mais limitada, ao contrário de sites em Flash, que normalmente não oferecem conteúdo na ausência do Flash ou JavaScript.
Projetar com o desenvolvimento progressivo em mente e construir de baixo para cima (estrutura » design), exige dos designers e desenvolvedores que pensem mais sobre a infra-estrutura de um site, e isso normalmente expõe os tipos de questões que não surgem quando se trabalha de cima para baixo, ou seja, quando se parte do design para a infra-estrutura.
A internet móvel ainda está em sua infância e, naturalmente, passa por uma reflexão no processo de design, mas os projetos baseados em padrões podem degradar bem para celulares como o fazem em navegadores mais antigos no desktop. Na ausência do Flash, um site pode ainda proporcionar uma experiência excepcional, sem muito esforço extra (que seria complicado com um site de flash).
A navegação móvel na Web está aumentando exponencialmente, e ignorar esses usuários é imprudente. Os padrões Web são a única opção de entregar as interações mais ricas em navegadores móveis.
Dar aos proprietários e editores de sites a capacidade de editar o conteúdo interativo dentro de um sistema de gerenciamento de conteúdo significa não ter que coordenar desenvolvedores de Flash para criarem e manterem o conteúdo fora do sistema. Muitas agências têm abandonado o Flash e partido para websites enquadrados no sistema WordPress que usam JavaScript para melhorar a experiência, e que permitem atualizações rápidas e fáceis de portfolio e conteúdo.
Padrões Web sendo o que são (ou seja, um contrato padrão na forma de código que é construÃdo e servido), agentes e scripts de fora de um website podem acessar aos dados directamente a partir do HTML. Ferramentas de busca, microformatos, feeds, tradução e marcação de conteúdo são permitidos, devido à natureza aberta e coerência entre os dados.
Se queremos que a Web seja verdadeiramente escalável e interligada, então, microformatos, microdados e APIs para o conteúdo poderiam ser a resposta. Caso contrário, vamos permanecer na mesma posição que estávamos anos atrás, quando sites erguiam paredes em torno de seu conteúdo.
Muitas pessoas acreditam que a tecnologia por trás da Internet deve ser aberta e não competitiva como foi no passado. As pessoas devem ser livres para consumir e criar a informação, sem estar amarrados a restrições de licenciamento e legalidade como acontece com o Flash , Silverlight e outras tecnologias de propriedade corporativa.
A criação e entrega de conteúdo com os padrões Web, não só é a melhor solução tecnológica, mas apoia a idéia de uma Web livre e aberta.
Só porque websites em Flash estão desaparecendo gradualmente, não significa que o Flash irá desaparecer completamente. Muito conteúdo e infra-estrutura que foram criadas não irão desaparecer magicamente. Sem uma vasta reestruturação ou realinhamento das organizações e dos processos, muitos dos desenvolvedores de Flash continuarão a ser empregados, e muita publicidade do Flash será dirigida a todos aqueles dispostos a ignorá-lo.
Devemos muito ao flash pois foi seu potencial inovador que tornou a Web o que ela é hoje, e ele merece este crédito. Mesmo apresentando menor potencial em relação aos outros plugins e tecnologias, tais como applets Java, que surgiu logo no inÃcio, o Flash sempre teve um bom equilÃbrio entre o fornecimento contÃnuo aos usuários e facilidade de desenvolvimento e implantação. Muitas outras tecnologias da Web, como VRML e SVG, tentaram vencer o Flash na web, mas permaneceram continuamente aquém.
Onde estaria a Internet é sem o Flash e as inovações que ele trouxe?
O Flash sempre foi intuitivo e de fácil aplicação, tanto para designers e desenvolvedores. É capaz de oferecer desde a mais simples das animações até servir para aplicações complexas.
Devido à sua facilidade de uso, o Flash representa a menor barreira de entrada para quem gosta de design e desenvolvimento. E combinado com a suÃte de aplicativos da Adobe, o Flash se encaixa bem no fluxo de trabalho do designer.
Você não pode argumentar com o fato de durante muitos anos o Flash ter sido a única forma de proporcionar interação rica de uma forma consistente em uma ampla gama de plataformas e navegadores. E ainda é a única forma de oferecer vÃdeo e áudio para navegadores mais antigos, e que irá manter o seu trono por vários anos.
Se você é um defensor de fontes e procura as especiais para o seu site, então você vai ficar triste com a situação atual do apoio às fontes no browser. Esta lacuna deverá ser compensada pelo Flash e SWFObject até que o @font-face atinja um número satisfatório de formatos de fonte e torne-se mais amplamente suportado.
Tanto quanto os padrões da Web tem avançado, estamos presos ao suporte aos navegadores mais antigos em Flash, pois ainda será a única forma de proporcionar áudio, vÃdeo e interfaces complexas de dados pesados. Graças à s empresas criadoras de navegadores Web que estão adotando precocemente os novos padões, podemos começar a usar as tags áudio e vÃdeo do HTML5 hoje. Mas ainda temos que planejar um passo para trás ao entregar mÃdia em navegadores mais antigos.
O mesmo poderia ser dito para o elemento canvas, animação 3-D e jogos. Se um navegador como o IE6 deve ser suportado, se torna complicado proporcionar uma degradação decente para o elemento canvas. O Flash só poderia ser a melhor escolha para o desenvolvimento em tais casos. Como sempre, o público visado e potencial deve determinar a sua direção.
Os melhores desenvolvedores de Flash têm a mesma abordagem que a multidão defensora dos padrões Web, usando Flash como uma camada para melhorar seus sites e aplicações. Se isso continuar, o Flash vai continuar a ter um lugar no fornecimento de uma grande experiência, servindo aos dispositivos móveis e permitindo que o site seja encontrado pelos sites de busca e tecnologias de agentes de outros usuários. A técnica de injeção de Flash é a maneira mais fácil de combinar o melhor dos dois mundos.
A Adobe nunca foi o tipo de empresa que permite a estagnação de um produto. Você pode ter certeza que a empresa vai continuar pressionando para obter o Flash em tantos dispositivos móveis quanto possÃvel.
Com o Creative Suite 5, os desenvolvedores serão capazes de exportar projetos em Flash como aplicações nativas do iPhone usando o iPhone Packager . E logo o Flash pode evoluir de suas raÃzes de animação para um ambiente de desenvolvimento de aplicações móveis e de desktop com a ajuda do AIR e dos avanços relacionados ao produto (o AIR pode atingir o espaço móvel muito rapidamente).
Desenvolvedores de Flash continuarão sob alta demanda, pois haverá um aumento de pedidos de aplicações consistentes que sirvam tanto ao desktop quanto aos dispositivos móveis.
Padrões Web, Flash, e outros plugins e tecnologias são apenas ferramentas para criar conteúdo para a web. Mesmo que o Flash esteja em declÃnio no quesito desenvolvimento de sites, desenvolvedores de Flash não tem nenhuma razão para pensar que se tornarão obsoletos.
Tudo o que é verdadeiro para criar aplicações ricas para internet é válido para qualquer ferramenta que você use, e a transição para o desenvolvimento de padrões Web pode ser mais fácil do que você pensa.
Desenvolvedores de Flash e desenvolvedores de padrões Web têm mais em comum do pensam. Interface e design de interação, tipografia, layout, design gráfico e programação orientada a objetos são conceitos ainda válidos e importantes para ambas as tecnologias.
Os desenvolvedores de ambos os lados desta discussão sofrem com os mesmos problemas. Ambos resolveram criar experiência para o usuário, a interação intuitiva e o design para tornar os sites cada vez mais fáceis para os usuários. Tudo isso é feito, não pela tecnologia em si, mas pelas pessoas por trás dela.
Como já disse ateriormente, este post é uma tradução livre do material publicado na Smashing Magazine. O post original e alguns bons exemplos você pode encontrar aqui: http://www.smashingmagazine.com/2010/04/12/the-gradual-disappearance-of-flash-websites/